Como fazer um plano de crise para o transtorno bipolar

Um plano de crise permite que a versão estável de você tome as decisões, para que a versão em episódio não precise tomá-las. Uma página, escrita em um dia bom, combinada com as pessoas citadas nela.

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Um plano de crise é uma página, escrita em um dia bom, que diz às pessoas ao seu redor — e ao seu eu futuro — o que fazer quando as coisas saem do lugar. Não é burocracia e não é pessimismo. É um jeito de garantir que as decisões sejam tomadas pela versão estável de você, e não pela versão que está no meio de um episódio.

Essa é a lógica inteira. Um episódio não deixa as coisas mais difíceis apenas em geral; ele afeta exatamente o equipamento de que você precisaria para lidar com ele — sono, discernimento sobre risco, e a percepção de que há algo errado. Decidir com antecedência é como você contorna isso. Você não está escrevendo regras para um estranho. Está deixando instruções para alguém que conhece muito bem.

Passo 1 — escreva enquanto você está bem

O momento é a parte em que as pessoas erram. Um plano rascunhado no meio de um período difícil tende a sair em pânico ou sombrio. Escreva o seu durante uma fase estável, quando você consegue olhar para o próprio histórico com calma e lembrar o que realmente aconteceu da última vez.

Mantenha em uma página. Se ele virar três, ninguém lê às onze da noite — muito menos você. Escreva em primeira pessoa, em linguagem simples, em linhas curtas. Vinte minutos rendem um rascunho utilizável; você pode afiná-lo depois.

Passo 2 — preencha os sete blocos

1. Meus sinais de alerta iniciais — alta e baixa. Dois ou três de cada, escritos como coisas que alguém realmente poderia observar. Não “eu me sinto estranho”, mas “estou dormindo cinco horas e não estou cansado”, “estou mandando mensagem para as pessoas às três da manhã”, “parei de atender o telefone”, “não estou tomando banho”. Aqui, específico vale mais que poético.

2. O que eu quero que as pessoas façam. “Me pergunte diretamente quantas horas eu dormi.” “Ligue para o consultório de quem me acompanha mesmo que eu diga para não ligar.” “Venha aqui em vez de mandar mensagem.”

3. O que eu não quero que as pessoas façam. Igualmente importante. “Não fale disso na frente das crianças.” “Não ameace ir embora.” “Não discuta comigo sobre se eu estou doente — só pergunte sobre o sono.”

4. Contatos, em ordem. Quem prescreve ou o profissional que acompanha você, com horários de atendimento e como falar com o serviço fora do horário. Sua pessoa de confiança. O número de emergência local e a linha de crise local — no Brasil, o 192 e o 188; para outros países, a nossa página de crise lista as linhas. Escreva os números por extenso — não presuma que alguém consiga desbloquear o seu celular.

5. Medicação — exatamente como quem prescreve já combinou. Liste o que você toma. Se quem prescreve já deixou um plano definido para sinais de alerta iniciais, escreva esse plano com as palavras dessa pessoa. Nunca invente uma conduta aqui. Se não existe um plano para sinais iniciais, a linha simplesmente diz “entrar em contato com quem me prescreve” — e perguntar se ela quer combinar um é uma boa pergunta para a sua próxima consulta.

6. Salvaguardas práticas que combinamos. Dinheiro (um cartão guardado por alguém, um limite de gastos, uma segunda assinatura), chaves do carro, redes sociais e e-mail, trabalho (quem é avisado e o que é dito), cuidado das crianças e dos animais. Isso só funciona se for combinado com antecedência, com prazo definido e com um caminho claro de volta. Uma salvaguarda com a qual você consentiu enquanto estava bem é proteção; uma imposta a você no meio do episódio é briga.

7. O que me acalma e o que piora. Acalma: um quarto escuro, uma caminhada, música conhecida, uma pessoa por vez. Piora: multidões, álcool, dirigir à noite, ouvir que é para se acalmar.

Passo 3 — combine com as pessoas que estão nele

Um plano de crise que cita alguém que nunca o leu não é um plano; é um desejo. Sente-se com cada pessoa que você citou e verifique duas coisas: que ela aceita o papel e que ela tem permissão para dizer seus limites. “Eu posso levar você às consultas e posso ligar para a sua clínica. Eu não consigo ficar com o seu cartão do banco.” Um limite nomeado com antecedência é muito mais gentil do que uma promessa que desaba no pior momento.

Depois dê a essa pessoa a frase que faz o documento inteiro funcionar: “Se eu disser que estou bem e você conseguir ver três destes sinais, acredite na lista, não em mim.” Você escreveu isso enquanto estava bem. É exatamente daí que vem a autoridade do documento.

Passo 4 — decida onde ele fica e revise

As cópias vão para você (uma foto no celular e algo impresso em uma gaveta), sua pessoa de confiança, quem mora com você, e o profissional que acompanha você, para o prontuário. Algumas pessoas guardam um cartão na carteira com os três números principais.

Coloque data e revise — a cada seis meses, e de novo depois de qualquer episódio. Episódios são bons professores sobre quais eram de fato os seus sinais iniciais, em contraste com os que você supunha que seriam. Um plano que lista o número de um ex-parceiro e uma clínica que você deixou há três anos não é um plano.

O que isto não é

Um plano de crise não é um plano de segurança para pensamentos suicidas. Esse é um instrumento específico, com estrutura própria, e é melhor construído com um profissional que possa adaptá-lo a você. Se automutilação ou pensamento suicida faz parte do seu quadro, peça ao profissional que acompanha você para fazer um com você — e mantenha os dois documentos.

Ele também não é automaticamente um documento legal. Alguns países reconhecem diretivas antecipadas de vontade em saúde mental; outros não. Se você quer que seus desejos tenham peso jurídico, pergunte localmente o que existe. E nada disso substitui tratamento — funciona ao lado do seu cuidado, não no lugar dele.

Comece menor do que você imagina. Reserve vinte minutos esta semana e preencha o bloco um: três sinais de alerta iniciais de alta, três de baixa. A página que você escreve hoje é um recado para a versão de você que não vai conseguir escrevê-la.

Se você está em crise ou preocupado com a sua segurança agora, não espere pelo plano. Contate o número de emergência local ou uma linha de crise. No Brasil, ligue 188 para o CVV, Centro de Valorização da Vida (24/7), ou 192 para o SAMU. Para todos os países, a nossa página de crise lista as opções, e findahelpline.com encontra uma linha onde você mora.

Perguntas frequentes

O que entra em um plano de crise para o transtorno bipolar?

Seus próprios sinais de alerta iniciais, tanto de alta quanto de baixa, escritos como coisas que alguém poderia observar; o que você quer que as pessoas façam e o que você especificamente não quer; contatos em ordem, incluindo quem acompanha você e a linha de crise local; a medicação exatamente como quem prescreve já combinou; salvaguardas práticas acordadas com antecedência; e o que acalma você versus o que piora as coisas.

Quem deve ter uma cópia?

Você, a pessoa de confiança citada nele, quem mora com você e o profissional que acompanha você, para o seu prontuário. Um plano que ninguém encontra às onze da noite não está cumprindo seu papel. Guarde uma cópia no celular e uma no papel.

Um plano de crise é o mesmo que uma diretiva antecipada legal?

Não necessariamente. Alguns países reconhecem diretivas antecipadas de vontade em saúde mental com peso legal formal; outros não as reconhecem de forma alguma. Um plano de crise é um documento prático e compartilhado — se você quer algo juridicamente vinculante, pergunte a um profissional de saúde ou a um advogado no seu país o que existe por lá.

Fontes

Se você estiver em crise ou pensando em se machucar, você não está sozinho e há ajuda disponível agora mesmo. No Brasil, ligue para 188 (CVV, 24h). Em Portugal, para 808 24 24 24 (SNS 24). Em outros países, procure os serviços de emergência locais — em Buscar ajuda agora estão as linhas por país.

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